Isolamento compulsório era a profilaxia para hanseníase adotada pelo estado brasileiro até meados dos anos 70. O isolamento compulsório foi amplamente difundido pelo território nacional e sua principal forma foi o isolamento em colônias agrícolas. Essa pesquisa foi desenvolvida inicialmente no Laboratório de Artes Visuais do Porto Iracema das Artes, Fortaleza/CE, e tem como ponto de partida a história da Colônia Antônio Justa, em Maracanaú/CE, inaugurada em 1942.

Vale lembrar que Maracanaú é uma cidade que tem em sua história muitas histórias de isolamentos. A reserva indígena do povo Pitaguary, o hospital municipal criado para o tratamento da tuberculose, a casa de menores criada para a detenção de menores infratores, e, o isolamento econômico que cria em Maracanaú o Parque Industrial e com ele todo o modelo de desenvolvimento industrial que organiza as vidas na cidade.

Nos anos 90 essa colônia passou por várias transformações sociais e políticas que a transformaram em um bairro. Da estrutura original criada para o isolamento, hoje restam alguns prédios e muitas ruínas.  Foram mantidos três pavilhões, onde hoje funciona o Centro de Convivência Antônio Justa. Nele coabitam oito moradores idosos que, mesmo curados, ainda moram lá devido aos vínculos estabelecidos com o espaço.

Pensamos Antônio Justa partir dessa política pública de isolamento dos corpos. Atualmente o bairro é uma área de expansão urbana, onde a especulação imobiliária já ergue seus muros, recolocando a memória desse território, antes lugar de isolamento, e hoje como um lugar de expansão.